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12/04/2010

Avatar: James Cameron no Brasil

No final de março, aproveitando a história ecologicamente engajada de seu mais recente longa-metragem, o cineasta James Cameron veio ao Brasil palestrar no 1º Fórum Internacional de Sustentabilidade em Manaus. A experiência na capital do Amazonas parece ter empolgado o diretor, que pediu para a Fox que o país fosse o único, fora os Estados Unidos, a ser visitado por ele para o lançamento do DVD e Blu-ray de Avatar.

Acompanhado do produtor Jon Landau, da atriz Sigourney Weaver (a Dra. Grace Augustine) e do ator Joel David Moore (Norm Spellman), Cameron chegou a São Paulo para entrevistas com a imprensa. Antes disso, o estúdio iniciou uma ação de plantio de 1 milhão de árvores no mundo e aproveitou a presença do diretor por aqui para que ele, ao lado de Weaver, colocasse a primeira delas, um pau-brasil, no solo do Parque do Ibirapuera. Desse um milhão de novas árvores, cerca de 200 mil ficarão por aqui.

Jardinagem à parte, na tarde de domingo, 11 de abril, o quarteto reuniu-se com jornalistas para uma coletiva de imprensa bem diferente do habitual. Antes das perguntas, fizeram uma apresentação de cenas em alta definição do filme com o exato mesmo padrão que o mercado de home video as receberá em 22 de abril. Para tanto, monitores da Panasonic estavam espalhados pelo salão, incluindo uma colossal TV de 103 polegadas - supostamente uma das duas únicas existentes no Brasil. Foram mostradas cinco cenas: o primeiro encontro de Neytiri e Jake, o aprendizado do soldado nos costumes Na'Vi, a sequência em que ele aprende a voar, o ataque à árvore dos ancestrais e a devastação da gigantesca árvore sob a qual residem os nativos de Pandora.

Cameron e Landau iniciaram a apresentação explicando por que o DVD e Blu-ray de Avatar serão lançados sem qualquer extra. "Nem trailers, nem comerciais de TV ou coisas assim", lembrou o produtor. Para o obcecado cineasta era muito mais importante investir esse tempo de preparação dos discos na qualidade de imagem. "Quisemos apresentar a melhor qualidade possível de áudio e vídeo em termos de correção de cores e transferência para manter o filme exatamente igual ao que vimos no cinema. Não havia tempo para produzir conteúdo adicional", seguiu Landau. Cameron, porém, ressalta que essa é sua "versão do diretor", já que é exatamente o filme que ele quis fazer, com a qualidade que ele exigiu. Curiosamente, o filme será lançado no formato 16:9, padrão para TV de alta definição, sem versões de proporção de cinema: "16:9 é o formato IMAX, para o qual eu fiz o filme. As versões que são exibidas em cinemas convencionais são cortadas para adequar o formato, então o formato de TV HD é justamente como eu pensei o filme e como vamos lançá-lo em home video", explicou o cineasta.

Isso não quer dizer, porém, que outras versões de Avatar não serão lançadas. "Teremos mais adiante uma versão estendida, mas feita para os fãs, com cenas inéditas que nunca finalizamos", disse. Essa versão especial, com vários discos e uma visão abrangente do processo de produção do filme, será lançada em novembro e conterá, inclusive, um documentário sobre a passagem de Cameron pelo Brasil. Já a versão em 3-D estereoscópico do longa ainda vai esperar que o mercado de televisores com essa tecnologia se desenvolva mais. "Provavelmente no final do ano teremos uma data aproximada de lançamento", comentou Landau.

O diretor também falou um pouco sobre a polêmica do 3-D filmado contra o 3-d convertido na pós-produção. "Não sou contra a conversão. Acho que deve ser um processo, se possível, acompanhado pelo cineasta e reservados a filmes clássicos em 2-D. Eu mesmo quero converter Titanic. Mas se você quer um filme em 3-D, o rode assim. Essa história de converter em sete semanas gera péssimas experiências, como Fúria de Titãs", criticou. "É tão absurdo quando ouvir hoje em dia que você vai filmar em preto e branco para converter depois para colorido", seguiu Landau.

Em relação ao filme em si, Weaver e Moore elogiaram o processo de captura de performance criado para o filme e lembraram que fizeram muitos ensaios no Havaí, numa floresta, antes de entrar em estúdio para filmar. Para o elenco e o cineasta, a ideia de vestir roupas especiais de captura e atuar sem as restrições de iluminação e posicionamento de câmeras foi muito positiva. Ambos compararam a experiência a atuar no teatro. Já Cameron sentiu-se livre por conseguir capturar 100% das atuações de todos os atores em quadro simultaneamente. "Toda a performance era transformada em dados e transferida para os computadores. Em um set tradicional os atores precisam atuar várias vezes a mesma cena para que o diretor tenha ângulos diferentes para usar na edição. Aqui, todos os ângulos possíveis estão armazenados. Basta escolher", disse Cameron. "Tudo o que precisamos é de uma cena em que todos atuem bem e pronto", complementou Weaver, para quem a experiência foi libertadora.

Sobre Avatar 2, Cameron continua se esquivando. Mas disse que a personagem de Sigourney Weaver pode voltar: "Tudo é possível na ficção científica". A única coisa que ele falou a respeito da sequência foi a possibilidade de filmar em locação na Amazônia, tamanho seu fascínio pelo local. "Se formos fazer a continuação há grandes chances de usarmos a Amazônia e usarmos fusão de computação gráfica com fotografia real, obtida com tomadas aéreas", completou.

Ainda sobre o futuro, Cameron encerrou a noite dizendo que acredita que a tecnologia que foi desenvolvida para Avatar é o ápice dessa técnica. "Claro, podemos refinar um pouco aqui e ali, mas meio que atingimos nosso auge técnico. A única coisa que nos limita agora é nossa própria imaginação. A partir daqui não preciso mais me preocupar em desenvolver nada, em criar câmeras ou tecnologia... agora só quero me divertir", concluiu, sem especificar projetos.

A 20th Century Fox lança o DVD e o Blu-ray de Avatar em 22 de abril, data que, desde 1970, celebra o Dia da Terra, promovendo a defesa do meio ambiente do planeta.

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